Com a volta do circuito estadual para a capital carioca, fizemos uma rápida entrevista com o head judge do circuito mundial, brasileiro e carioca. Ele fala sobre mudanças, e aponta novos talentos cariocas no julgamento. Confira entrevista abaixo.
1. Qual a importância da volta para a capital de uma etapa do circuito estadual ?
O Rio de Janeiro, como todos os estados e praticamente todas as regiões do mundo, passou por um processo de reformulação na parte estrutural (Diretoria, propostas, diversificação de regiões).
Por um lado foi extremamente importante, pois as demais regiões do Estado se fortaleceram e surgiram circuitos próprios (Macaé, Rio das Ostras, Zona Oeste, Campos)pois antes o eixo do Rio era Itacoatiara, Zona Sul do Rio e Meio da Barra.

Um bom árbitro não se forma da noite para o dia. Tem que ter anos de dedicação e envolvimento no esporte. Quadro técnico na etapa de Sintra de 2003. - Foto: Arquivo Pessoal
A nova formação da diretoria da Federação (composta por essas associações), com pessoas que realmente buscam o profissionalismo e eventos de nível (Shorebreak, estadual de Macaé, Rio das Ostras, Campos e mundial em Búzios). A volta da capital como palco de uma etapa só vem demonstrar o reflexo de um grupo profissional que está trabalhando.
2. O julgamento tem passado por varias modificações nos últimos anos, O que destacaria como as mais importantes mudanças?
Principalmente o que estamos buscando em cima da qualidade da manobra em si,sem perder a potencialidade da onda. A quebra da linha da onda e a falta de confiança e segurança de manobra estão sendo cada vez mais bem analisadas dentro do processo de comparação das notas.
Está sendo valorizado cada vez mais o atleta que possui o controle, estilo, radicalidade e realmente a busca da energia potencial dentro do que a onda oferece, independente do tamanho,formação e condição da onda.
O nível é muito alto dos competidores e tivemos que cada vez mais adaptar as manobras de vanguarda com a classe e o estilo. Vimos nos últimos anos o aparecimento de muitas manobras e depois que elas começaram a ser lapidadas dentro do contexto de qualidade e estilo, os atletas que não executam o botton turn (que é a natureza básica do esporte) e executar “piruetas de braço e corpo” sem utilizar a parte funcional da onda, estará destoando do que realmente é a proposta do esporte nos dias de hoje.
Radical sim! Crítico sim! Risco ao extremo, mas com qualidade e estilo, sem perder a plástica que envolve um esporte de apresentação. O nível é muito alto, e temos atletas no mundo inteiro preenchendo essas qualidades.

Chico Garritano com dois árbitros da nova geração carioca: Alexandre Oliva e Rafael Petrini durante o campeoanto do shorebreak. - Foto: Jonathan Cardoso
3. Como você avalia os juízes cariocas? Apontaria novos talentos?
O Rio sempre foi um berço que apresentou grandes nomes no Bodyboard. Isso é o reflexo pelo numero de campeonatos, circuitos, ondas,e por ter sido o pioneiro em todos os segmentos. Isso é um processo natural e notório em qualquer esporte de referência onde se desenvolveram os primeiros passos.
O quadro oficial do circuito brasileiro e das etapas do mundial no Brasil é composto por 1 representante de cada região mais expressiva no cenário nacional(Rogerio Bezerra,juiz oficial do Circuito Mundial e Diretor da IBA Latin America,Dudu pedra,da federação do Rio,Fatimo Cerqueira,Head Judge e Presidente da Federação Bahiana,e Frank Bernardo,Diretor Técnico e Head Judge da Federação Capixaba).Temos ainda bons nomes e que formam o quadro quando necessário; João Rigo, Head Judge do Paraná,Fábio Patrão de Santa Catarina,Charles Veras de Pernambuco e Alison Queiroz de Pernambuco,e Orleans do Ceará.
Aqui no Rio temos o Dudu Pedra, que além de ser um dos maiores big riders do Brasil e do mundo,é um juiz de primeira linha e já é também head judge do Circuito Latino.
Tivemos um quadro muito sólido e tranqüilo no Shorebreak, um evento de nível altíssimo, difícil, com baterias muito fortes com 3 juizes da nova geração; Rafael Petrini, de Niterói,o Alexandre Oliva e Leo Mello ambos de Copacabana.
Fora da capital destaco: Formigão de Campos, Rafael Mussi de Macaé e Daniel Lemos de Rio das Ostras.
Do lado de cá, Mazinho e Hilton completam o quadro da Zona Oeste, sempre dando uma cara boa pra qualquer evento que trabalham, passando credibilidade aos competidores.
Vale sempre ressaltar que a aparição de novos e bons juízes é responsabilidade da associação em promover e dar suporte para que os atletas sejam julgados de maneira sólida, com critério e o que vem sendo exigido dentro do que são as normas e fundamentos da arbitragem/competidores.
Seguir o padrão que ocorre nas demais regiões do país/mundo. Não adianta ser julgado de uma maneira dentro da sua associação, enquanto o resto do planeta segue outra linha. Todos devem seguir as normas da entidade máxima no país, a CBRASB pois assim segue-se uma linha uniforme em todos os eventos e conseqüentemente os problemas diminuem.

O árbitro não pode se emocionar com as vitórias ou derrotas e tem que sempre manter a racionalidade. - Foto: Jonathan Cardoso
4. Quais são os pré-requisitos para uma pessoa se tornar um árbitro de bodyboard?
Paciência, dedicação, tempo, experiência, honestidade, calma, profissionalismo, viver o esporte, não errar em condutas (pois o árbitro é a principal cara da comissão técnica) ter espírito de grupo, conhecer os fundamentos do esporte, conhecer a regra, se manter atualizado em tudo que se refere a julgamento, compromisso, disciplina, foco e ter muita saúde.
Vão ser horas e horas gastas durante dias, meses, anos. Saber que o único que vai gostar de você em um campeonato de 200 pessoas é o vencedor. E tentar não errar.
Acima de tudo saber que quando tudo dá certo e o melhor vence, a satisfação é de dever cumprido. Não se pode se preocupar com festas, alegrias, pódio, resultado. Apenas ser realmente profissional.
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